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Como demonstração de produtividade Portuense em fim de semana duplamente comprido, pude finalmente acabar a leitura desta saga de uma família Açoreana em pleno século XIX, superiormente escrita (e não sei se o termo se deve empregar com todo o seu significado) por Maria Filomena Mónica (MFM).

Partindo de um acervo significativo de cartas trocadas pelo patriarca José do Canto com a sua família próxima, MFM traça o retrato fiel de um homem que nunca se rendeu à insularidade – embora dela sofresse – com um grau de cultura e civilização muito para além do normal naquela época.

Testemunho de patriotismo e de empreendedorismo (e nunca como agora se exigiram qualidades parecidas…), José do Canto atravessa parte significativa daquele século, com permanentes deslocações entre Lisboa, Londres, Açores e Paris – onde residiu ainda muitos anos numa tentativa de acompanhar os estudos de seus filhos, adivinhando-se nele uma cega crença na determinação dos destinos dos seus entes queridos.

Porém, e como mais tarde afirmou Agostinho da Silva – «Não faças planos para a vida que podes estragar os planos que a vida tem para ti»…

Uma obra notável e uma lição para a vida de qualquer Pai.

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