Segundo o Diário Digital a RFM deu um passo no caminho da modernidade – passou a tratar por “tu” os seus ouvintes, revelando mais um triste sinal do desvario da espécie lusitana, sempre com o pé a tender para a chinela. Para mim, que sempre entendi que o “tu” estava reservado a relações de grande confiança, foi impensável até à idade adulta (ou até hoje) tratar os meus pais, tios ou avós por “tu”, reservando esse tratamento para irmãos, primos e amigos.

Bem sei que da vizinha Espanha há muito vinham sinais preocupantes, quando o “usted” caiu abaixo do precipício, mas ainda havia aqui em Portugal uma resistência saudável: numa época em que todos passámos a ser doutores e engenheiros, a terceira pessoa do singular era ainda uma forma hábil de manter as distâncias e evitar a “cunfia”, sobretudo no ambiente laboral – se a moda RFM pegar, vamos acabar todos de bermudas e chanatas a perguntar ao Chefe – «Ó Tóni, vais à reunião da administração amanhã?».

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