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Como já aqui o disse, não deixo de sentir simpatia (em abstracto) pelo conceito monárquico, sobretudo numa época em que os sinais de desagregação do Estado se tornam cada vez mais notórios.

Por isso, e por mera curiosidade e sentido crítico fui ver a página web da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República e fiquei elucidado quanto ao devaneio e despesismo patrocinador de tão solenes comemorações, num momento da vida nacional em que nunca a palavra contenção foi tão recomendável…

Dito isto, não só por espírito do contraditório mas também pelo interesse excepcional, recomendo duas obras literárias que não deixam de ser um exercício de memorabilia quanto à monarquia nacional, sobretudo na sua fase terminal: “Mar! Obra Artística do Rei D. Carlos” e “Os Fornecedores da Casa Real“.

O primeiro corresponde ao catálogo da exposição realizada em Cascais em 2007 e constitui uma oportunidade única de reter a criatividade e bom gosto da obra artística  do Rei D. Carlos (no caso, sobretudo marinhas). O segundo é uma investigação de mestrado de Lourenço Correia de Matos que procura inventariar todos os fornecedores (nacionais e estrangeiros) da Casa Real portuguesa, os quais mediante o pagamento de uma quantia à Coroa, podiam ostentar esse título e as armas reais.

Com inúmeras ilustrações de grande qualidade, mas também com textos notáveis (no primeiro caso, entre vários autores, destacaria o texto do historiador Rui Ramos), qualquer dessas obras nos dá outras perspectivas dos tempos da monarquia, nem melhores nem piores que os da República – apenas diferentes.  

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