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Como aqui dei conta em seu tempo, li com o maior interesse a autobiografia de Andre Agassi, relato revelador das contradições tão próprias do ser humano e rico de ensinamentos, tanto para quem segue de perto o ténis como para quem nunca empunhou uma raquete.

O impacto mediático do atleta em causa e das revelações contidas no livro foi enorme, sobretudo atendendo à confissão do consumo de droga, muito embora este seja um aspecto lateral no todo que é a obra, mais a mais se tivermos em conta que o controlo anti-doping positivo veio a revelar o mero consumo de uma droga dita “de recreio” (com efeito nulo ou negativo em termos desportivos), por oposição às drogas ditas “de performance“.

A este propósito, e na revista de fim de semana do Público, o jornalista Pedro Keul elaborou um artigo que muito hesitei em comentar na altura (a publicação impressa foi há duas semanas enquanto a disponibilização online tem apenas cerca de 24 horas) mas que não resisto agora a comentar.

Para quem como eu leu a obra, nada de errado há a apontar ao teor deste artigo: “apenas” me interrogo sobre um pormenor – o dos direitos de autor. Ao longo do artigo não descortino qualquer referência a direitos de autor ou a cedência dos mesmos pelo editor e temo que este seja um mau exemplo de jornalismo, sem desprimor para o autor – que não conheço pessoalmente.

Apesar de a obra em causa estar à venda em Portugal (na edição original da Harper & Collins), quantos leitores do Público deixarão de a adquirir, face à exaustividade da mencionada peça jornalística? Creio que a obra e o seu autor mereciam outro e melhor cuidado por parte do jornalista visado e do próprio jornal mas, afinal, estamos em Portugal.

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