Etiquetas

De há muitos anos a esta parte que me habituei a ler as crónicas semanais de António Sousa Homem, Advogado de profissão, nascido em 1920 e retirado nos confins litorais do Alto Minho, mais precisamente em Moledo.

Ultra conservador e homem de hábitos, a sua perspectiva irónica sobre os costumes e a evolução da sociedade portuguesa é do melhor que já li e transforma cada leitura num momento delicioso de humor que apetece nunca ter fim.

Daí que aconselhe vivamente os seus dois livros, “Os Ricos Andam Tolos” e “Os Males da Existência” ambos correspondentes a compilações das suas crónicas semanais, espalhadas pela imprensa nacional.

Dito isto, confesso que sempre imaginei o Dr. Sousa Homem no remanso da sua merecida reforma, à sombra das árvores seculares do seu jardim enquanto lia o “Minho Pittoresco” e velhos exemplares de “O Primeiro de Janeiro” mas, ao ler o mais recente número da revista “GQ” (leitura imprescindível para todo o homem que se preze…) “tropeçei” na entrevista mensal de João Pereira Coutinho, desta feita ao escritor Francisco José Viegas.

Se já admirava FJV pela sua escrita, agora passei a admirá-lo ainda mais: é que no decurso da entrevista revela-se finalmente aquilo que para mim era uma mera suposição, mas que não conseguia materializar – que o Dr. Sousa Homem era um pseudónimo e que o seu verdadeiro autor, agora confesso, é nada mais nada menos que o próprio FJV. 

Se se perdeu o encanto do mistério, ganhou-se certamente maior longevidade para a sua obra, já ameaçada pelos iminentes 90 anos do Dr. Sousa Homem…

Anúncios