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O “Blitz” fez 25 anos: digo “o” e não “a” muito embora a versão actual seja uma revista, porque ao longo de vários anos – aqueles em que comprava religiosamente cada número semanal – era um jornal.

No liceu primeiro, e depois no bar da faculdade, havia a distinção clara entre aqueles que liam o “Blitz”, e os “outros” que preferiam leituras ora mais sofisticadas, ora mais desportivas. Os “pregões e declarações” eram a parte mais cómica do jornal, reservada a trocas de opiniões entre leitores, autêntico espaço precursor das salas de chat na net.

Apesar de não ser dado a nostalgias, os saudosos desse tempo poderão encontrar algumas coisas giras neste blogue – http://ovelhoblitz.blogspot.com/

Anos depois, quando já há muito não o lia, o jornal passou a revista mensal que de vez em quando compro, pela sua qualidade. E foi assim que aterrou no meu colo o número de Novembro, comemorativo dos 25 anos, no qual se procura traçar a história da música portuguesa das últimas cinco décadas.

Tratando-se de escolhas, sempre subjectivas, parece-me que foi precisamente aqui que a porca torçeu o rabo: sem regionalismos bacocos, para o “Blitz” a história da música portuguesa mais recente parece limitada aos Xutos, Madredeus, Camané (?) e poucos mais, tudo com um pendor demasiado sulista (já agora, por que razão se esqueceram dos Radar Kadafi?).

Registo que para o “Blitz” o “Independança” é o melhor álbum dos GNR, quando “Os homens não se querem bonitos” está (na minha opinião) uns furos bem mais acima, que os Clã recebem pouco ou nenhum destaque, no que são acompanhados por bandas como os Delfins ou os Ban (estes, sem nenhuma menção).

Mesmo em géneros diferentes de música, fica difícil de entender a omissão de Eugénia Melo e Castro, de Amélia Muge ou de Isabel Silvestre – isto de cultura musical tem mesmo muito que se lhe diga… 

Não é que não me reveja nalgumas escolhas (em algo teriam que acertar!), mas considero que se perdeu uma verdadeira oportunidade de reescrever a história da música moderna portuguesa, o que obriga a exigir desde já ao “Blitz” nova edição especial quando da comemoração dos 50 anos – se todos cá estivermos, claro!

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