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Qu'ai-je donc fait

E de novo Jean d’Ormesson, desta vez, com a sua obra mais recente (2008), a qual mais não é do que um balanço de uma longa vida, feito por um homem fiel a si próprio e às suas convicções mais profundas mas, acima de tudo, bem consigo mesmo.

O título corresponde precisamente à interrogação que atravessa todo o livro – «Que fiz eu então?», podendo a resposta ser encontrada neste excerto (desde já peço desculpa por eventuais falhas na tradução):

«Que fiz eu então? Amei a água, a luz, o sol, as manhãs de Verão, os portos, a doçura do fim de tarde nas colinas e uma multidão de detalhes sem o mínimo interesse…

Achei a vida muito bela e demasiado longa para o meu gosto. Tive sorte. Obrigado. Cometi faltas e erros. Perdão. Pensem em mim de vez em quando. Cumprimentem o mundo por mim quando já cá não estiver. É uma máquina engraçada de fazer rolar lágrimas e deixar-nos doidos de alegria. Volto-me ainda uma vez mais para este tempo perdido e ganho e digo para mim, talvez me engane, que ele me deu – assim, por nada, com muita graça e boa vontade – aquilo que de melhor há em toda a eternidade: a vida de um homem entre os seus semelhantes». 

Nada mais há a dizer – apenas que este livro merecia edição nacional. Lamentavelmente, Jean d’Ormesson “não é deste tempo” e por isso, é um segredo tão bem guardado, pelo menos, por cá.

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