Leio no Público online esta notícia e pasmo de admiração – «Carlos César defende voto obrigatório em Portugal»: descontando os pormenores de tal declaração ter sido proferida fora de portas (no Canadá) e no final de um jantar de confraternização com emigrantes lusos, sobra a questão principal –a  da obrigatoriedade do voto para “protecção da democracia”.

É que é muito fácil proferir esta afirmação, mas há que pensar nas reais consequências da mesma: primeiro, na imposição aos eleitores de uma obrigação de voto, quando a abstenção pode traduzir, tão livremente como qualquer outra (voto nulo, p.ex.), uma manifestação de vontade por parte de quem não tem opinião formada sobre os partidos ou candidatos a eleger. Depois, porque ao introduzir-se a obrigatoriedade, terá que se prever uma sanção para o eventual desrespeito da mesma – e quanto a isso, Carlos César nada refere.

Por último, e a existir sanção, a mesma tem que ser coercivamente aplicada, o que implicará maior grau de litigância nos nossos tribunais.

Não há mesmo melhor coisa do que filosofar fora de portas, não é senhor Presidente do Governo Regional dos Açores?

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