Etiquetas

aqui elogiei Mário Crespo pelo raro sentido de oportunidade na selecção dos seus entrevistados e das perguntas que lhes dirige. Ontem no Jornal das Nove da Sic-N, entrevistou José António Barreiros, Advogado e actual Presidente do Conselho Superior da Ordem dos Advogados, a propósito de (mais) uma polémica lançada pelo actual Bastonário.

Mas não foi aqui que residiu o motivo de interesse da entrevista: perguntado sobre a já lendária faceta “intervencionista” do actual Ministro da Justiça, Alberto Costa, demitido por Barreiros aquando da sua passagem por Macau (Costa era Director da Justiça e Barreiros o Secretário de Estado), eis que Barreiros puxa da sua memória e explica (com a devida vénia ao “Sol”, onde a notícia pode ser lida aqui):

«Questionado sobre o papel do ministro da Justiça Alberto Costa no caso das supostas pressões de Lopes da Costa sobre os investigadores do caso Freeport, José António Barreiros recusou traçar um paralelo entre o episódio e o caso que levou à demissão de Costa em Macau, há 21 anos, mas recordou-o.

Em 1988, Alberto Costa foi demitido de director da Justiça de Macau por tentativa de pressão sobre o juiz José Manuel Celeiro no caso do escândalo da televisão de Macau, TDM.

A demissão foi assinada por José António Barreiros, na altura secretário de Estado da tutela.

«Os factos demonstraram que houve pressões junto de um juiz para arquivar um caso e libertar dois presos no caso da televisão de Macau, e entendi demiti-lo», recordou o ex-secretário de Estado, que desmente ainda que a demissão de Costa tenha mais tarde sido declarada ilegal, tendo apenas o despacho sido revogado pelo governador Carlos Melancia».

O que a notícia não relata, mas Barreiros referiu em directo, é que na sequência da revogação do despacho de demissão, Alberto Costa ficou na situação de demitido sem fundamento e, como tal, intentou uma acção contra o Estado que findou com o pagamento de uma indemnização – ou seja, incompetente, mas indemnizado. Um caso de deliquência por tendência?

Anúncios