Leio a notícia no novíssimo “I”, e é óbvio o incómodo que todo este assunto está a causar na indústria farmacêutica em geral e no laboratório visado em particular.

Se há veste que a indústria em causa não pode envergar confortavelmente é o de virgem púdica ao pé do altar: qualquer um de nós que tem um médico na família ou como amigo, ou, ainda melhor, alguém a trabalhar neste ramo da “propaganda farmacêutica” sabe bem como tudo funciona.

Do convite para jantar em restaurante “in” ao patrocínio de alguma obra científica, passando pelo subsídio ao congresso da especialidade, até à viagem e acompanhamento ao congresso mundial inevitavelmente localizado em praia ou “resort” paradisíaco, tudo vale na “batalha da prescrição”.

Longe vão os tempos da modesta distribuição de calendários, canetas e demais brindes simbólicos, face à escalada de armamento dos últimos anos (ou década). E também nisto, a Ordem dos Médicos foi demasiado complacente por demasiado tempo – a ameaça de suspensão aos médicos em questão parece desenquadrada e roça, até, o ridículo face ao tempo que medeou desde a ocorrência destes factos (Novembro de 2006).

Realmente, os “médicos sem fronteiras” são uma classe em crescimento, mas mais vale apontar ao caçador (indústria) do que à presa (médicos).

p.s. propositadamente, não comentei o surgimento do “I” até hoje. Faço-o, agora, depois de dar tempo ao tempo para que o nascituro estabilizasse. Creio que o conceito é inovador em Portugal e o grafismo apelativo – a qualidade dos recursos humanos, essa, é indiscutível. Há que fazer um esforço, no entanto, ao nível do site, para acompanhar a par e passo (a cada minuto, a cada segundo) o mundo.

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