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Já por aqui se falou desta velhinha discoteca em Leça da Palmeira: agora, e de acordo com notícia do jornal Público deste sábado (apenas disponível na edição em papel) – «Discoteca Batô muda de donos pela primeira vez ao fim de 37 anos», seguindo-se a descrição do sucedido:

«É um bocado da história de Leça da Palmeira e da noite do Grande Porto que chega ao fim. Apesar de os novos donos garantirem que quase tudo no Batô é para manter. Com algumas mudanças. Ao fim de 37 anos, o Batô foi vendido e, quando reabrir, depois das folgas, na quarta-feira, já será com a nova gerência. A mudança está a causar alguns receios.

Anteontem, foi mais uma Noite do Baú no Batô. Cinco horas dedicadas, como sempre, ao rock, mas daquele que já entrou nos 30, 40 anos. À meia-noite, a pista de dança estava cheia e às 1h30 ainda havia um amontoado de pessoas no Largo do Castelo, à espera de poder entrar. O costume. Mas, anteontem, havia uma diferença. No piso superior da discoteca, junto ao leme, a observar o espaço, estava um dos novos donos do Batô. Edgar Rodrigues é o sócio minoritário da Tá Tudo – Investimentos Hoteleiros, Lda, empresa constituída com Humberto Tentúgal, há cerca de quinze dias, e que é a nova proprietária do Batô.
Edgar Rodrigues, que já esteve ligado ao Via Rápida, garante que “o Batô é para manter”, apesar de estarem previstas algumas mudanças. Em termos estruturais, diz, “a decoração fica na mesma”, mas o espaço da lareira, onde hoje ainda poderá sentar-se a conversar, vai passar a estar ocupado por um segundo bar. O resto, diz, são “melhorias que não afectarão a estrutura do espaço” – melhor ar condicionado, alterações nas carpetes, mais qualidade de som. Tudo para fazer devagar e sem que seja necessário encerrar a discoteca.
Já a música, acrescenta Edgar Rodrigues, vai permanecer fiel “ao pop/rock”, continuando as Noite do Baú (na última quinta-feira do mês) e Wash Your Brain (na primeira quinta-feira do mês e dedicada ao rock mais recente). Contudo, o empresário admite que vão ocorrer mudanças. “Vai haver algumas novidades, que preferimos não divulgar já. Queremos cativar público que não sai muito, ter uma oferta mais variada. Se só pusermos música dos anos 70, se calhar, ela só diz alguma coisa a quem tiver mais de 40 anos. Digamos que estaremos sempre a abraçar o futuro”, diz.
São estas mudanças, ainda pouco definidas, que estão a causar algumas dúvidas entre funcionários e clientes mais fiéis do Batô. Anteontem, havia quem proclamasse que a discoteca “acabou”. Sem quererem identificar-se, alguns funcionários confessavam o receio de que o Batô nunca mais seja o mesmo. E lamentavam ter sabido da venda por terceiros. O Batô esteve sempre nas mãos dos mesmos proprietários, mas a morte de um dos três sócios, vítima de atropelamento, levou os restantes a optar pela venda
».

Não sei porquê, nem quero parecer fatalista – mas é o fim de uma era e, ou muito me engano, o princípio do fim. Oxalá esteja enganado.

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