Leio esta notícia do Público online e dificilmente acredito que se possa apresentar a questão – por si mesma tão complexa – de forma tão ligeira, aliás, como sucedeu com as recentes declarações do Papa em África.

De acordo com a doutrina da Igreja Católica, não pode ser afirmada coisa distinta do que o Papa fez, com enorme coragem (digo eu!): mais fácil e cómodo era ter passado e pairado por África sem mencionar o tema e tudo estaria bem. Mas não. Como cabeça da Igreja Católica, o Papa não pode afirmar ou consentir que se afirme o contrário do plasmado na doutrina.

A leitura das entrelinhas implica, pois, um esforço de conciliação ou compatibilização da ortodoxia da doutrina com a flexibilidade revelada pela Igreja na prática e isso é claramente o que sucede, seja nas missões em África ou na América do Sul, por exemplo. Também não vejo polémica de maior (a não ser para vender jornais) nas declarações do Bispo de Viseu.

O que está implícito na interpretação dessas e outras palavras é sempre o mesmo: a “camisa” como último recurso, impondo-se a montante uma alteração de comportamento, antes da opção pela solução mais cómoda. Claro que é o trilho mais difícil e os dias que correm não estão para dificuldades, mas o caminho que Jesus Cristo nos propôs também não é propriamente uma auto-estrada.

Quem não entender isto, nada percebeu.

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