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Para quem tem os filhos no ensino privado o momento de pagar a mensalidade ou trimestralidade é sempre uma “dor de alma” (ou de  bolso?) (re)compensada pela certeza ou pelo menos suposição de um bom investimento.

Em tempos de crise também o ensino privado sofre as consequências: segundo notícia do Público do passado sábado o governo britânico acabou de adoptar medidas equivalentes a uma nacionalização de escolas privadas, sobretudo aquelas mais afectadas pelas saídas forçadas de alunos cujos pais já não conseguem suportar os custos inerentes, tendo igualmente em vista evitar o desaguar desses alunos no já sobrelotado ensino público.

No que respeita ao ensino privado em Portugal, ainda segundo o Público de hoje (versão impressa) – «Há cada vez mais pais que não conseguem pagar as mensalidades dos colégios dos filhos a tempo e horas. Outros que tentam negociar planos especiais de pagamento. Outros ainda que estão a abdicar das actividades extracurriculares para aliviar a despesa no final de cada mês. Isto acontece “mesmo nos grandes colégios das grandes cidades”, o que “é algo novo”, diz o presidente da Associação de Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo (Aeep), Rodrigo Queirós e Melo. “Este ano lectivo está a ser difícil.”».

De acordo com essa mesma notícia – «Os efeitos da crise que afecta muitas famílias fazem-se sentir mesmo em escolas frequentadas pelos filhos da classe média e média alta». Maior indício de crise não poderia haver, sendo sobretudo preocupante, segundo a minha perspectiva, que o governo possa ser tentado a copiar o congénere britânico e nacionalizar os estabelecimentos de ensino que assumam ter problemas, impondo-lhes como contrapartida determinadas regras (?) ou vícios do ensino público…

A solução alternativa – digo eu – seria permitir deduções ao IRS bem mais significativas ou mesmo integrais dos custos suportados pelas famílias com o ensino privado dos seus filhos ou, então, uma redução especial do IVA incidente sobre as propinas, antes que a sangria de alunos do ensino privado para o público acabe por afectar este último de forma insolúvel.

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